A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) sancionou uma nova lei que estabelece um salário mínimo regional reajustado, com valores que agora chegam a R$ 2.106. Com esta atualização, o estado consolida sua posição como detentor do segundo maior piso salarial regional do Brasil, superando o Rio Grande do Sul e ficando atrás somente do Paraná.

Os novos valores do salário mínimo em Santa Catarina agora variam entre R$ 1.842 e R$ 2.106, distribuídos em quatro faixas de remuneração. Este reajuste representa um aumento médio de 6,5% em relação aos valores anteriores, um índice que se destaca por ser superior à inflação oficial de 4,26% registrada no ano passado. O piso inicial estabelecido em Santa Catarina é R$ 221 superior ao salário mínimo nacional, que foi fixado em R$ 1.621 pelo governo federal.

Economistas analisam que o reajuste salarial em Santa Catarina é um reflexo do aquecimento do mercado de trabalho brasileiro, especialmente em regiões com desempenho econômico robusto como o estado. Santa Catarina figura como a unidade da federação com a menor taxa de desocupação do país, embora sua população ocupada represente apenas 4,5% do total nacional. A expectativa é que o aumento salarial tenha um impacto positivo na economia local, podendo atrair mais mão de obra e, ao mesmo tempo, gerar um possível repasse de preços, notadamente em serviços.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE revelam que, em 2025, a taxa de desocupação em Santa Catarina foi de 2,3%, significativamente abaixo da média nacional de 5,6%. O reajuste abrange quatro faixas: a primeira (R$ 1.842) para agricultura, pecuária, pesca, construção civil e empregados domésticos; a segunda (R$ 1.908) para vestuário, calçados, comunicação e telemarketing; a terceira (R$ 2.022) para indústrias químicas, farmacêuticas, alimentícias e comércio geral; e a quarta (R$ 2.106) para metalurgia, mecânica, tecnologia da informação, transporte e serviços de saúde.

Especialistas como Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence, e Crystiane Peres, supervisora do DIEESE em Santa Catarina, destacam o ganho real para os trabalhadores e o dinamismo que o piso estadual confere ao mercado interno. Peres ressalta que Santa Catarina é peculiar por determinar seus pisos salariais através de negociação direta entre patrões e trabalhadores. Outros estados da Região Sul, como Paraná e Rio Grande do Sul, e também São Paulo e Rio de Janeiro, possuem pisos regionais próprios, ajustados às suas realidades econômicas.