A economia circular, um modelo que visa a reutilização e reciclagem de materiais para minimizar o desperdício, tem impulsionado negócios inovadores no Brasil. Empresários estão transformando o que antes era considerado lixo em insumos valiosos para a produção de novos bens, desde joias até componentes eletrônicos.

Um exemplo notável é a Repense, startup fundada por Renato Novis, que se dedica a extrair metais nobres como ouro, prata e cobre de resíduos eletrônicos. Utilizando um processo chamado PMW (purified metal from waste), a empresa transforma placas de circuito de celulares, computadores e outros dispositivos em matéria-prima para a fabricação de joias. Segundo a Repense, uma joia produzida com esse método sustentável gera até 99% menos impacto ambiental em comparação com as feitas de material virgem, evitando a necessidade de mineração.

Outras empresas como a Circoola, associada ao Parque Tecnológico da UFRJ, focam na coleta e no destino adequado de eletrônicos domésticos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Eles recolhem desde celulares antigos até grandes eletrodomésticos, priorizando o reúso, conserto ou a manufatura reversa. Lucas Palazzo, diretor de Operações da Circoola, destaca que grande parte dos resíduos eletrônicos ainda se acumula nas residências por falta de conhecimento sobre o descarte correto, ressaltando o aumento constante desse tipo de lixo devido ao ciclo rápido de consumo tecnológico.

Na linha de produtos duráveis, a Kuba, fundada por Leonardo Drummond e Eduarda Vieira, desenvolveu fones de ouvido modulares, onde peças como cabos e almofadas podem ser facilmente trocadas. Essa abordagem, embora não inicialmente concebida sob o guarda-chuva da economia circular, alinha-se perfeitamente aos seus princípios ao estender a vida útil do produto e reduzir o descarte. A venda de peças de reposição já representa uma parcela significativa do faturamento da empresa, demonstrando a viabilidade econômica de produtos pensados para durar e serem reparados.

A Coca-Cola Brasil também tem investido em ecodesign para suas embalagens, redesenhando linhas de garrafas de vidro e PET para serem mais leves, resistentes e com menor consumo de material. Essas iniciativas, que abrangem desde a extração de metais preciosos até o design de produtos modulares e embalagens sustentáveis, evidenciam um movimento crescente no país em direção a um modelo econômico mais circular e consciente, onde o resíduo se torna um recurso valioso.