A diretoria da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) do Alto Vale realizou, na última terça-feira (26), um encontro estratégico em sua sede em Rio do Sul. O objetivo principal da reunião foi promover um debate aprofundado sobre o atual cenário econômico e os desafios que se apresentam para os diversos setores industriais da região. Entre os tópicos centrais da pauta, destacaram-se discussões sobre o desempenho do mercado interno, a necessidade de investimentos em infraestrutura, a qualificação da mão de obra local e a manutenção da competitividade da indústria.

Durante o evento, o vice-presidente regional da Fiesc Alto Vale, Lino Rohden, incentivou os empresários presentes a compartilharem as particularidades e dificuldades de seus respectivos segmentos. Os relatos trouxeram à tona uma série de preocupações urgentes, incluindo a persistência de juros elevados, o aumento nos custos de insumos essenciais, os crescentes índices de inadimplência e os impactos econômicos de conflitos internacionais. Além disso, a pauta de Brasília foi um ponto de atenção, com a proposta de redução da escala de trabalho 6x1 gerando apreensão, assim como a intensa concorrência com produtos importados da China, as mudanças na Norma Regulamentadora 1 (NR-1) e as tradicionais incertezas inerentes a períodos eleitorais.

Diante desse panorama complexo, os participantes apontaram a exportação como uma alternativa viável, ainda que parcial, para o setor. Outras estratégias consideradas fundamentais para enfrentar o cenário atual incluem investimentos contínuos em automação de processos e a qualificação e requalificação da mão de obra. O primeiro vice-presidente da Fiesc, André Armin Odebrecht, reforçou a relevância socioeconômica da indústria catarinense, destacando que o setor é responsável por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina. Ele também sublinhou a necessidade premente de acompanhar de perto as realidades e as especificidades dos diferentes segmentos industriais presentes no Alto Vale.

A reunião também dedicou atenção a um tema crucial para a logística e o desenvolvimento regional: o projeto de duplicação da BR-470 via concessão, apresentado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A Fiesc manifestou cautela em relação à proposta, avaliando que ela se distancia do modelo ideal defendido pela entidade. Um ponto de preocupação específico foi a ausência de Rio do Sul entre os municípios previstos para as audiências públicas sobre o projeto, o que motivou entidades do Alto Vale a solicitarem a inclusão da cidade nessas discussões essenciais. No âmbito de gestão, o gerente executivo regional da Fiesc, Fabiano Bachmann, apresentou os indicadores das atividades do SESI e do Senai referentes ao primeiro quadrimestre de 2026. Os dados revelaram um crescimento expressivo nas áreas de educação, saúde e tecnologia em comparação com o mesmo período do ano anterior. Bachmann destacou ainda as ações de interiorização dos serviços, realizadas por meio de parcerias com prefeituras e a oferta de cursos técnicos em colaboração com a Secretaria de Estado da Educação. Contudo, ele também alertou para a baixa adesão de jovens à formação profissional e ao mercado de trabalho, indicando que a entidade está desenvolvendo iniciativas para reverter essa tendência. A programação da Semana da Indústria no Alto Vale foi apresentada, e os participantes receberam atualizações sobre o andamento das obras do novo prédio do Senai em Rio do Sul, que recentemente recebeu a visita do superintendente do SESI/SC, Daniel José Tenconi, e do prefeito de Rio do Sul, Manoel Arisoli Pereira. Ao final do encontro, a nova composição da diretoria da Associação de Sindicatos Patronais de Indústrias (ASPI) foi aprovada pelos presentes.