O Consórcio de Integração Sul e Sudeste (Cosud) oficializou, no último sábado (6/12), a Carta do Rio de Janeiro, documento que consolida as diretrizes do grupo para o fortalecimento da segurança pública no país. A divulgação ocorreu ao final do 14º encontro do consórcio, realizado no Rio de Janeiro, que reuniu governadores de sete estados para três dias de intensos debates.
O documento aborda a necessidade de um financiamento robusto e contínuo para as ações de segurança pública, propondo que parte da arrecadação proveniente da taxação de apostas esportivas seja destinada a essa finalidade. Além disso, os governadores pleiteiam a criação de linhas de crédito específicas junto ao BNDES para viabilizar a modernização tecnológica das forças policiais estaduais. A Carta também ressalta a importância de mecanismos de coordenação nacional que respeitem a autonomia federativa e promovam a integração de dados e ações contra a lavagem de dinheiro e o financiamento de organizações criminosas.
Durante o encontro, governadores como Eduardo Leite (RS) e Cláudio Castro (RJ) enfatizaram a preocupação com a escala interestadual e transnacional das facções criminosas, defendendo estratégias conjuntas para seu enfrentamento. "A segurança pública não pode ser vista de maneira cartesiana nem ideológica", declarou Castro, ressaltando a importância de valorizar a experiência de quem atua diretamente no combate ao crime. Leite, por sua vez, destacou que nenhuma política pública prioritária pode prescindir de recursos orçamentários adequados.
A Carta do Rio de Janeiro também reafirma o compromisso dos estados com a preservação da autonomia das polícias estaduais e a necessidade de um modelo de compensação financeira para aqueles que arcam com custos de crimes federais. Os governadores expressaram ainda a urgência de ações coordenadas nas fronteiras nacionais e a participação ativa no debate nacional sobre segurança, incluindo a tramitação da PEC 18/2025. O encontro também elegeu Romeu Zema (MG) como presidente do Cosud, com o próximo encontro previsto para março em Minas Gerais, reforçando a visão de que a colaboração entre estados, União e sociedade é fundamental para resultados duradouros.

