O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apresentou uma denúncia formal contra 12 indivíduos suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes em contratos públicos na área da Saúde do município de Rio do Sul. O desvio de recursos estimado ultrapassa os R$ 11,3 milhões. Entre os nomes na lista de denunciados estão Roberta Hochleitner e Sueli Terezinha de Oliveira, ex-secretárias municipais de Saúde, além de um médico que, segundo as investigações, seria o líder da organização criminosa.

O modus operandi do grupo envolvia uma estrutura organizada com divisão clara de tarefas, focada em obter vantagens indevidas através de contratos públicos. As práticas apontadas pela promotoria incluem a criação de empresas em nome de terceiros para dificultar o rastreamento de valores, o direcionamento de processos licitatórios para beneficiar empresas ligadas aos investigados, e a elaboração de orçamentos simulados e documentos falsificados para conferir uma aparência de legalidade às transações. Adicionalmente, o esquema previa o pagamento de vantagens ilícitas, com percentuais que chegavam a 25% do valor contratado, além de operações de lavagem de dinheiro utilizando contas de "laranjas" e transferências fracionadas.

Três procedimentos específicos foram destacados na denúncia como centrais para o esquema: o Pregão n.º 40/2024, que teria beneficiado a empresa Gestão Médica Alto Vale Ltda., criada poucos dias antes do certame, com 25% do valor pago pela prefeitura sendo repassado como comissão; a Dispensa n.º 23/2024, que favoreceu a RB Construções Ltda. com base em orçamentos falsos e valores inflados; e a Dispensa n.º 43/2024, que resultou em um contrato de R$ 27 mil com a MAC Carlesso Eletro Ltda., também sob suspeita de direcionamento.

As investigações indicam que Roberta Hochleitner teria sido peça-chave na autorização de contratações e na manipulação dos editais. Sueli Terezinha de Oliveira, mesmo após deixar o cargo de secretária, teria atuado como articuladora política e recebido valores ilícitos. Registros de comunicação e imagens em redes sociais apontam para uma relação próxima entre as ex-secretárias e o médico líder do esquema. Mensagens de celular revelaram que Hochleitner teria solicitado a "triplicação da produção" de uma empresa para aumentar o faturamento e, consequentemente, os repasses à organização criminosa. Em um dos episódios detalhados, o médico teria entregue R$ 7 mil em espécie a Sueli de Oliveira, quantia encontrada em seu veículo durante uma busca e apreensão. O MPSC solicita o processamento da ação penal e a reparação de R$ 11,3 milhões aos cofres públicos, enquanto o caso aguarda análise da Justiça.